A Biblioteca Pública do Paraná recebe o projetoExtremos – Círculo de Leitura de Ficções Radicais”, no período de 16 a 19 de maio. Criado pelo escritor e crítico literário José Castello e pelo músico e diretor teatral Flávio Stein, “Extremos” consiste na leitura em voz alta de obras que desestabilizem o leitor e produzam interpretações e questionamentos sobre o mundo contemporâneo.

Para a sua primeira edição na Biblioteca Pública, José Castello e Flávio Stein farão a leitura em voz alta do romance “Um Copo de Cólera”, de Raduan Nassar, na íntegra, durante os quatro dias do evento, das 19h às 22h. Os interessados em participar devem enviar um e-mail informando o nome completo para oficina@bpp.pr.gov.br. A entrada é franca.

As leituras, que já acontecem no Rio de Janeiro, reúnem um público heterogêneo, de áreas profissionais diferentes e com as mais diversas experiências de vida e de leitura. Segundo Castello, não há nenhuma limitação quanto a quem possa participar. “É para o leitor comum. A exigência é gostar de ler e estar disposto a participar da discussão”, comenta.

De acordo com o escritor, o papel principal é do público, convidado a compartilhar, confrontar e agregar diferentes interpretações. “A ideia é que os participantes interfiram o tempo todo, nos interrompam a cada parágrafo para discutir o texto, associá-lo a situações cotidianas e discutir a vida contemporânea”, diz Castello.

Extremos” já promoveu a leitura de autores como Carlos Drummond de Andrade, Franz Kafka, Clarice Lispector e Dostoiévski, entre outros.

 

Serviço:
Projeto Extremos – Círculo de Leitura de Ficções Radicais
Leitura de “Um Copo de Cólera”, de Raduan Nassar, com José Castello e Flávio Stein.
Data: de 16 a 19 de maio, das 19h às 22h.
Local: Sala de Reuniões, no terceiro andar da Biblioteca Pública do Paraná
Entrada gratuita.


“O feminino na obra de João Turin”, com desenhos até hoje nunca expostos ao público, é o tema da mostra que será aberta hoje, na Casa João Turin. A exposição é composta por 13 desenhos, sendo nove em nanquim e quatro em aquarela. Completam a mostra quatro esculturas do artista paranaense que remetem ao universo da mulher.

O público terá a oportunidade de conferir obras em que o artista aborda a própria visão acerca do feminino. Em alguns desses trabalhos, Turin fez o desenho em nanquim e acentuou os traços com leves pinceladas de água, formando sombras de diferentes tonalidades.

“Os visitantes poderão conferir um momento bastante expressivo da obra do artista”, diz Elizabete Turin, diretora do espaço.

Os retratos, feitos em papel, são baixos relevos que mostram a feminilidade da mulher da primeira metade do século passado. Elas não possuem registro da data de realização. As esculturas também expostas foram realizadas em bronze e gesso.

Serviço:
Exposição “O feminino na obra de João Turin”
Local: Casa João Turin (Rua Mateus Leme, 38. Curitiba).
Data: de 6 de maio a 31 de julho de 2011.
Visitação: de 2ª a 6ª, das 9h às 18h; sábados, domingos e feriados,
das 10h às 16h.
Entrada gratuita.

Serviço: Cursos de música e arte

Publicado: 5 de maio de 2011 em Arte, Música
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Estão abertas as inscrições para diversos cursos da área de música e artes na Rua da Cidadania da Matriz, na Praça Rui Barbosa. As opções são violão popular, teclado, violino, viola, flauta doce, canto coral, técnica vocal, desenho e pintura. A mensalidade é de R$ 35.

Mais informações sobre horários, conteúdos, materiais e pré-requisitos podem ser obtidas pelos telefones:3313-5816 e 3313-5817 ou no link abaixo:

www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br/cultura-nos-bairros/regional/regional-matriz
Período de inscrição: até 10 de junho.


Imagine só a cena: você está com a galera, se divertindo e relaxando em um bar, quando de repente surge um grupo dançando próximos a vocês.

Através de uma parceria da Fundação Cultural de Curitiba e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Paraná (Abrasel-PR) isso está virando uma rotina nos bares curitibanos.

É a Blitz Cultural Brasil Sabor. Os bailarinos do grupo de dança contemporânea “Movimento 161” realizarão performances para acompanhar a degustação das receitas criadas pelos participantes do festival.

Confira a programação desta semana:

05/05 – Quinta-Feira

Mercatu Pizzaria – 20h
Babilônia- 20h30
Carolla Batel- 21h
Picanha Brava- 21h30
Aos Democratas- 22h

06/05 – Sexta-Feira
Bistrô do Victor- 20h
Mediterrâneo – 21h
Famiglia Fadanelli- 21h30
Bistrô do Victor – 22h
Zapata – 22h30


Gabriel Hamilko, para a Gazeta do Povo 


O francês Voltaire (1694-1778) e mais dois autores contemporâneos – o argentino Ricardo Pi­­glia e o norte-americano David Foster Wallace (1962-2008) – reunidos em um teatro? Essa seria uma situação impossível, mas a terceira edição do encontro literário EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo, que será realizado hoje no Teatro da Caixa, tornará esse encontro real e viável, promovendo a releitura de três obras desses diferentes autores, em terras distintas.

A proposta é um diferencial, que cativa o público, cada vez mais fiel às discussões. “Os frequentadores do evento são pro­­fis­sionais das mais diversas áreas e idades, atraídos por várias ra­­zões, como a maneira de apresentar a leitura, algum autor ou obra específica”, diz Flavio Stein, curador do projeto. O propósito é aproveitar essa plateia diversificada para reler as obras Cândido, de Voltaire; Breves Entrevistas com Homens Hediondos, de Wallace; e A Invasão, de Piglia.

Stein afirma que o principal objetivo dessa escolha é reunir um autor francês do século 18 a dois escritores contemporâneos. Além da diferença de épocas, é colocada em pauta a variedade geográfica dos autores. Misturando tudo isso, a leitura vai apresentar os contrastes entre esses olhares e épocas distintas, confrontando as diversas escritas.

Após a encenação dos li­­vros, a ideia é propor uma discussão com os os espectadores, que apontarão as semelhanças entre as três obras e o que mais destoa nos textos. “A preocupação é colocar as publicações dentro de uma proposta de contraste. A semelhança é o ouvinte que vai apontar na discussão”, completa o curador.

Logo no começo, os textos serão apresentados por Caetano Galindo, professor da Universidade Federal do Paraná – que também mediará o evento – seguido pela leitura, realizada pela atrizes Jaqueline Valdívia e Maíra Weber.

O diretor Walter Lima Torres é o responsável pela forma como será conduzido o diálogo entre as obras. Na sua opinião, o desafio é tentar subtrair ao máximo a presença corporal e física dos participantes, lembrando que a leitura da prosa é diferenciada em relação a atuação de textos dramáticos ou poesias.

Outro componente dessa aliança entre dramaturgia e literatura é a música, que vai dar forma às palavras lidas pelas duas atrizes. O responsável pela sonorização do encontro será o músico Gilson Fukushima.

Serviço:

EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo. Teatro da Caixa (Rua Conselheiro Laurindo, 280), (41) 2118-5111. Hoje, às 20 horas. Ingresso: um livro não-didático.


Rogério Gulin e o filho Victor tocam juntos no Paiol - Crédito: Alice Rodrigues

O violeiro Rogério Gulin abre a temporada do programa Terça Brasileira, da Fundação Cultural de Curitiba, com show nesta terça-feira (3), às 20h, no Teatro do Paiol. Conhecido pelo seu trabalho com a viola caipira, seja como artista solo ou como integrante dos grupos Terra Sonora e Vila Quebrada, Rogério Gulin convida desta vez para acompanhá-lo no palco o seu filho Victor Gulin, de 13 anos.

Victor vem desde os 9 anos estudando e executando temas instrumentais dos grandes autores da viola contemporânea brasileira, como Roberto Correa, Pereira da Viola, Ivan Vilela e o próprio Rogério Gulin. Neste programa, Rogério Gulin abre o show com três números solo, e depois se junta a Victor Gulin para tocar em duo. Outro convidado é o flautista Giampiero Pilatti, que se apresenta com a dupla ao final do espetáculo.

Com este espetáculo, o Terça Brasileira inicia sua nova temporada, com uma programação de onze novos espetáculos a serem apresentados ao longo do ano. Criado em 1997, o programa visa divulgar a produção musical, tanto de músicos profissionais, professores e alunos do Conservatório de MPB, como de artistas convidados. Os shows acontecem nas noites de terça-feira, no Teatro do Paiol, e abordam os diversos gêneros e tendências musicais presentes na história da Música Popular Brasileira, como modinhas, regional de choro, bossa nova, jovem guarda, tropicália, música de raiz, grupos de samba, grupos de jazz e big bands.

Terça Brasileira
Show de Rogério e Victor Gulin
Local: Teatro do Paiol – Praça Guido Viaro, s/n
Data: 3 de maio de 2011 (terça-feira), às 20h
Ingressos: R$ 15 e 7,50


O escritor Cristovão Tezza é o primeiro convidado deste ano do projeto “Um Escritor na Biblioteca”, no qual um autor fala sobre sua formação como leitor, a relação com as bibliotecas de sua vida, além de abordar o prazer e a relevância da leitura. Tezza conversa e responde perguntas do público a partir das 19h do dia 3 de maio, na Biblioteca Pública do Paraná. O jornalista Christian Schwartz fica responsável pela mediação.

Tezza é autor de “Um Erro Emocional”, “O Fotógrafo” e “O Filho Eterno”, romance vencedor dos principais prêmios de literatura do país. Até 2009, foi professor universitário na UFPR, posto que deixou para se dedicar totalmente à literatura.

Releitura – “Um Escritor na Biblioteca” é a releitura de evento homônimo criado na Biblioteca Pública ainda na década de 80. Fernando Sabino, Luis Fernando Veríssimo, Paulo Leminski, Nélida Piñon, Thiago de Mello, Antônio Callado e Fernando Morais foram alguns dos participantes daquela época.

Ao longo de 2011, nove escritores participam do evento. Os bate-papos são abertos ao público e também serão transcritos, editados e publicados pela BPP, e exibidos pela TV E-Paraná. Ao término dos encontros deste ano, a biblioteca também editará livro com ensaios sobre a obra dos escritores e fotos do evento.


Doze projetos financiados pelo Fundo Municipal da Cultura, da Prefeitura de Curitiba, garantem até novembro de 2012 a realização de oficinas e mostras de arte em todas as regiões da cidade. Os projetos foram selecionados por meio do edital Circuito de Arte e Cultura, que faz parte das iniciativas da Fundação Cultural de Curitiba para descentralizar as ações culturais.

As primeiras oficinas tiveram início neste mês de abril e prosseguem até o final de junho. Nas regionais de Santa Felicidade, Boa Vista e Cajuru está sendo realizada a oficina “O canto por todo o canto”, com orientação da cantora Ana Paula Cascardo. Com aulas teóricas e práticas de técnica e interpretação vocal, esse curso intensivo de canto é voltado para o público adulto (maiores de 17 anos), com o objetivo de favorecer o desenvolvimento pessoal e despertar os talentos existentes na comunidade.

No Boqueirão, Bairro Novo e Pinheirinho acontece a oficina “Grupo Zimba e a prática da capoeira de angola”. Um dos grupos mais atuantes em Curitiba, o Zimba está ensinando crianças de 7 a 12 anos a praticar a capoeira e a valorizar essa importante manifestação da cultura afro-brasileira. Os quatro integrantes do grupo atuam como instrutores, trabalhando com as crianças todos os movimentos e a música da capoeira, inclusive o uso do berimbau e dos outros instrumentos que compõem o ritual.

O Portão, CIC e Regional Matriz promovem a oficina “Poesia no Muro”, outro canal de expressão artística, poética e visual que se abre para a comunidade. Voltada para jovens de 13 a 17 anos, esse curso explora as possibilidades da literatura, do grafite e da pintura mural, tendo como palco o espaço urbano. Dessa forma, os orientadores Juliana Luz e Fernando Rosembaum estimulam a expressão juvenil e principalmente criam a consciência dos participantes em relação ao seu entorno e ao seu bairro.

A partir de julho novas oficinas ingressam no circuito, de forma que até o final do próximo ano as regionais recebam todos os doze projetos selecionados, com atividades de diferentes áreas artísticas. Ao todo serão promovidas 324 ações, pois além dos 108 cursos programados os bairros terão os eventos de mobilização que antecedem cada curso, além das mostras e apresentações de alunos ao final das oficinas.

Cada projeto tem duração de três meses. “Este programa da Fundação Cultural tem como foco a formação por meio de oficinas mais completas e contínuas. É preciso um tempo mínimo para criar um ambiente de sensibilização para a arte”, explica Clóvis Severo, coordenador de Teatro da Fundação Cultural de Curitiba.

Severo, que participou da elaboração do edital junto com coordenadores de outras linguagens artísticas e chefes dos núcleos culturais nas regionais, destaca que o programa procurou atender exatamente a demanda das comunidades. “A Diretoria de Ação Cultural teve aproximadamente um ano de trabalho para chegar ao formato mais adequado, ouvindo as necessidades apresentadas pela comunidade e ao mesmo tempo buscando projetos artísticos que pudessem se adaptar a essas demandas”, diz.

As oficinas contemplam diversos segmentos – teatro, música, literatura, folclore e artes visuais. As outras propostas selecionadas e que serão desenvolvidas a partir de julho são “Olho do Boi” (manifestação folclórica), “Jogando e improvisando” (teatro), “A linha e a cor: desenho ou pintura?”, “Caravana: o papel da capoeira”, “Enquadrinho a cidadania” (história em quadrinhos), “Teatro no bairros – um projeto de teatro para adolescentes”, “Caixinha de música e oficina orquestra reciclável” e “Gravura colorida”.


O Museu da Gravura Cidade de Curitiba apresenta, nesta quinta-feira (28), às 19h, o encontro Entre desenho e pintura, com a artista paulista Célia Euvaldo e o crítico e professor da Universidade Católica do Rio de Janeiro, Ronaldo Brito, para uma conversa sobre a exposição Célia Euvaldo – Pinturas, em cartaz no Museu da Gravura. O evento conta com a participação do historiador e galerista Marco Silveira Mello, coautor do livro sobre a obra da artista, publicado pela editora Cosac Naify, em 2008.

Célia Euvaldo fará uma apresentação de sua trajetória artística desde a década de 1980, das instalações e séries de desenhos iniciais até sua produção mais recente: telas em grandes formatos, pinturas a óleo monocromáticas, divididas em séries de trabalhos brancos e negros – no limite da forma, do desenho e da pintura. Em seguida, sob o ponto de vista crítico, Ronaldo Brito e Marco Silveira Mello apresentarão suas abordagens sobre a produção da artista.

Serviço:

Conversa com a artista Célia Euvaldo, o crítico de arte Ronaldo Brito e o historiador e galerista Marco Silveira Mello.
Local:
Museu da Gravura Cidade de Curitiba – Solar do Barão (R. Pres. Carlos Cavalcanti, 533)
Data: 28 de abril  (quinta-feira), às 19h
Entrada franca


Da série “Situações Curitibana’s”


Entre graves e agudos, o som que ecoa das torres da catedral rege o compasso da rotina no coração de Curitiba

Anna Carolina Azevedo

Badalo. Badalo. Badalo. Badalo. Infalíveis uma vez mais, os sinos da Catedral Basílica de Curitiba avisam aos transeuntes das imediações da Praça Tiradentes que está findo mais um quarto de hora. A cada vez em que o ponteiro maior de cada relógio da igreja matriz vence a barreira dos quinze minutos, as ações ao redor do marco zero ganham a regência do som que ecoa das torres da catedral. Som que faz parte da memória auricular e da rotina dos curitibanos que por ali passam diariamente.

A mãe anda apressada com o filho no colo. As pombas voam por sobre o carrinho de pipoca. O Ligeirinho Bairro Alto/Santa Felicidade acelera e avança o sinal. Os sinos tocam. A senhora busca refúgio à sombra da árvore. Os namorados se beijam num dos bancos da praça. O turista posa para foto ao lado do táxi “curitibocamente” alaranjado. E os sinos tocam outra vez.

Poucos, porém, são os que reparam nesse ruído tão próprio do centro da nossa cidade. Isso porque a cadência do cotidiano impõe-se frenética. Mal se tem tempo para prestar atenção na paisagem onde se desenvolvem as ações corriqueiras da Curitiba metrópole. Em meio à disritmia do vai-e-vem de pernas e pensamentos, o que quase sempre está em evidência são os fatos – não o cenário em que a história do dia-a-dia é desenhada.

Quando o palco do espetáculo torna-se o foco, é possível perceber o quão harmônicos são os elementos que regem o pulsar do coração curitibano. À luz do colorido das flores e da gente, a evolução dos passos e compassos ao redor da catedral parece poética. E o dobrar intermitente dos sinos dão o tom àquele pedaço de Curitiba, ecoando por entre as ruas do centro e os ouvidos dos que por elas andam.

Localizada onde a cidade nasceu, a catedral é um dos ícones afetivos da região. E é natural que o retumbar dos sinos também seja. Numa conversa informal com comerciantes dali, o comentário, sempre carinhoso, chega a ser redundante: “é um barulho que já faz parte da nossa vida”.

Na sacristia da catedral, um senhor me contou que o ritmo dos sinos, hoje, é totalmente automatizado e é de responsabilidade do Seu Dorvílio, funcionário da paróquia há mais de vinte anos. Basta que ele programe alguns botões para que os badalos soem no tempo e na cadência certos. Entre graves e agudos, mais ou menos harmônicos, a sinfonia varia de acordo com o aviso a ser dado. O tilintar do bronze ressoa em todas as horas cheias, a cada quinze minutos e no horário das missas do dia – a ver: de segunda a sábado, ao meio-dia e às seis da tarde; no domingo, às 8h30, 10h e 18h.